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A Origem das Espécies

A Origem das Espécies

A evolução da espécies foi descrita pelo naturalista britânico Charles Darwin no seu célebre livro “A Origem das Espécies” publicado em 1859. Como é de conhecimento geral, esta teoria culminou no que é agora considerado o paradigma central para a explicação de diversos fenômenos na biologia tornando-se a explicação científica dominante para a diversidade de espécies na natureza (Charles Darwin, A Origem Das Espécies, Coleção Obra-Prima de Cada Autor. Editora Martin Claret, 2007. ISBN 8572325840). A teoria científica da evolução explica como as formas de vida desenvolveram diversidade ao longo das gerações. Uma coisa que se deve entender imediatamente é que ela não alega explicar o desenvolvimento do universo ou o surgimento da vida. Ela explica como novas formas de vida surgiram de formas de vida mais antigas. Mesmo que a vida na terra tenha se iniciado por algum tipo de intervenção divina ou alienígena, isto não afetaria a evidência da evolução, que é aceita por pessoas que acreditam em um ou mais Deuses, bem como por quem não acredita em nenhum. Também é importante entender o que é uma teoria cientifica. Fora do meio cientifico as pessoas frequentemente usam a palavra teoria para se referir a um palpite, ou a qualquer opinião pessoal não provada. Não é isso o que a palavra teoria significa na ciência. Na ciência, uma teoria se refere especificamente a uma explicação bem concreta sobre uma grande quantidade de fatos bem concretos e firmemente estabelecidos. Assim, sempre que encontramos declarações do tipo “evolução é só uma teoria, não um fato”, isso nos diz que quem fez tal declaração não está usando o termo adequadamente. Em ciência, a teoria não é enaltecida pelos fatos, antes, os fatos é que são explicados pela teoria. Por causa de seu poder de explicar as coisas, as teorias são a meta suprema e a plena conquista da natureza da ciência. 

Para começar com alguns fatos bem conhecidos, nós sabemos que as características físicas dos pais são herdadas pela geração seguinte e através do artifício de criação seletiva, muitas características podem ser aumentadas em gerações posteriores. Isso pode ser conseguido muito facilmente acasalando os indivíduos que exibem mais fortemente aquela característica e repetindo este processo através de sucessivas gerações. Crie apenas cavalos que tem ótimo desempenho em competições e seus filhotes também serão premiados. Crie apenas cachorros agressivos, e seus filhotes serão agressivos. Muitos que alegre e facilmente dirão entender esse tipo de seleção artificial são os mesmos que rotulam evolução como “impossível” ou “um conto de fadas”. Contudo, a seleção natural, um dos principais mecanismos que guiam a evolução não requer nenhuma suspensão mágica ou violação das leis da física. Ela simplesmente diz que as características também surgem e oportunidades reprodutivas também são limitadas por outros fatores que não a influência humana. Se um criador de cachorros selecionar apenas os cachorros mais velozes para sua criação, e se na selva, somente as gazelas mais rápidas escaparam dos predadores e sobreviveram para reproduzir, então ambos, a natureza e o criador de cachorros estão favorecendo certos indivíduos para produzirem filhotes e passar sua informação genética para a geração seguinte.

Antes de falar mais sobre seleção natural, gostaria de mencionar outro termo comumente incompreendido: “Mutação”. Muitos pensam que quando biologistas falam sobre mutação, eles estão se referindo apenas a malformações dramáticas como animais com membros ou cabeças a mais. Ou cenários forçados como cães produzindo gatos, ou até se transformando em gatos. Isto tudo é fruto de desinformação. “Mutação” é simplesmente a mudança na variação genética dentro de uma população, originada por inserção, exclusão ou recombinação de sequência do DNA. Mas mutação não é a única causa de variação, porque não é só a sequência do DNA que é importante para a Evolução. Estudos de epigenética, por exemplo, mostram que os genes podem ser ligados ou desligados, e que essa ativação ou inibição pode ser herdada e se expressar em gerações futuras. A maioria das variações são neutras e não tem qualquer impacto na sobrevivência do organismo, acumulando-se naturalmente em gerações sucessivas, o que se chama de deriva genética, cujos efeitos são melhor percebidos em pequenas populações (Richard Dawkins, O Gene Egoísta. Companhia das Letras, 2007. ISBN 978-8535911299).

Mas variação na cor, por exemplo, pode ter um impacto maior. Considere um inseto de coloração pouco parecida com a casca das arvores onde habita. Se a variação genética fizer alguns de seus filhotes menos evidentes para os predadores, eles terão mais chances de sobreviver e de se reproduzir. E com o passar do tempo, os insetos com esta variação de cor podem se tornar mais abundantes dentro da população. Se a variação fizer alguns dos outros filhotes mais evidentes para os predadores, então talvez eles não sobrevivam para se reproduzir, e essa variação pode desaparecer ou ser suprimida pela seleção natural. Muitos que não entendem a evolução tentam descrevê-la como “puro acaso”. Mas não foi por acaso que camuflagem, cascos, pétalas, antenas, barbatanas, asas, olhos e raízes evoluíram no mundo natural. Todas estas características físicas tiveram funções especificas na contribuição para o sucesso reprodutivo de diferentes organismos. E fica óbvio que se os organismos que exibem essas características se reproduzirem, eles perpetuarão sua informação genética, incluindo a informação responsável pela característica para a próxima geração. Mas não é verdade que toda característica de um organismo tem que ser vantajosa. Por exemplo, características que não trazem nenhuma vantagem ainda podem ser favorecidas se estiverem associadas à outra que traz. Quando se trata de características vantajosas, não existe um “tamanho único”. Tamanho pode ser uma grande vantagem para um leão-marinho que quer dominar seus rivais, mas seria uma considerável desvantagem para um macaco-aranha, que está adaptado para movimentar-se agilmente pelas árvores. De novo, não é por acaso que o leão-marinho evoluiu para ser enorme e o macaco-aranha evoluiu para ser esbelto e ter membros tão esguios. Esses atributos físicos os ajudam nos seus respectivos ambientes e meios de vida para sobreviver e competir para se reproduzirem.

Pessoas que dizem que evolução é sobre um impossível e improvável golpe de sorte cega, frequentemente gostam de alegar que a probabilidade de formas de vida evoluir é a mesma de se ganhar o prêmio máximo de um caça-níquel centenas de vezes seguidas. Mas acasos milagrosos não tem nada a ver com evolução. Se formos usar a mesma analogia da máquina caça-níquel, então a evolução mantém presos quase todos os símbolos e só aceita os que combinam cada vez que se puxa a alavanca. Começando com uma palavra nós só precisamos mudar uma letra para transformá-la numa nova palavra. Mudando uma letra dessa nova palavra resultam novas palavras adicionais. E se nós prosseguirmos com esse processo, produziremos palavras totalmente diferentes da original. Uma mudança dramática obtida através de pequenas mudanças por vez. É isso que acontece na Evolução, exceto que na evolução, incontáveis minúsculas mudanças se acumulam ao longo de milhões de anos. O problema para a maioria das pessoas entenderem o processo da evolução é que eles não conseguem pensar em termos de milhões de anos, para muitos é difícil conceber tal espaço de tempo devido à curta duração de nossas vidas (Richard Dawkins, O Relojoeiro Cego, A Teoria da Evolução Contra o Desígnio Divino. Companhia das Letras, 2001. ISBN 8535901612).

Se membros de uma dada espécie se isolam geograficamente, cada grupo acaba por ter que responder a um ambiente muito diferente e a enfrentar diferentes predadores e se adaptar a formas diferentes de obter comida. Assim, a variação genética não mais estará sendo compartilhada por toda a população, mas apenas entre os membros de cada grupo vivendo em determinado ambiente. Desta forma, a deriva genética e a seleção natural podem fazer com que surjam duas espécies distintas que passando um certo período de tempo não são mais tão próximas a ponto de ser possível se reproduzir entre si.

A teoria da evolução não diz que “organismos de uma espécie de repente passam a produzir organismos de outra espécie”. Cães não produzem gatos e organismos individuais não mudam de espécie. Um macaco não se torna um ser humano, há um mal-entendido comum sobre como a evolução nos liga aos macacos que é revelado pela clássica pergunta que a maioria faz “Se os humanos evoluíram dos macacos, por que ainda existem macacos?” Em primeiro lugar os humanos não evoluíram dos macacos que vemos hoje. Humanos e macacos modernos compartilham um ancestral comum, semelhante a um macaco, mas diferente de ambos. Em segundo lugar, quando uma forma de vida evolui de outra isso não quer dizer que a forma de vida original tem que deixar de existir. Considere por exemplo à espécie A tão bem adaptada ao seu meio ambiente que muda muito pouco de uma geração para outra, então, parte dessa população se espalha para um novo meio ambiente em que se mostra pessimamente adaptada. Diferentes pressões de sobrevivência agora levam as gerações dessa população a mudarem dramaticamente enquanto as mudanças na primeira população são quase imperceptíveis. Após muitas gerações a população 1 ainda existe mais ou menos na sua forma original enquanto que a população 2 está agora muito diferente devido a uma adaptação em um ambiente mais hostil. A população 1 não precisa ser extinta, nem mudar da mesma maneira. Por exemplo, os brasileiros descendem dos portugueses, mas nem por isso os portugueses deixaram de existir ou se transformaram em brasileiros.

A teoria da evolução não requer a existência de um animal com a cabeça de crocodilo e o corpo de pato, mesmo quando há evidências de que um animal evoluiu diretamente de outro isso não significa que a transição de todas as formas tem que parecer como pedaços de ambos os animais colados juntos. A evolução não trabalha combinando diferentes espécies aleatoriamente. Cientistas evolucionistas nunca caçaram o “crocopato” ou o “rinopolvo”. A teoria da evolução nos diz uma coisa bem diferente. A natureza não recompensa apenas combinações aleatórias de características, mesmo animais altamente especializados têm sido levados à extinção. A natureza só recompensa aquilo que é capaz de se reproduzir com eficiência. O “crocopato”, inventado para ridicularizar a evolução tornou-se, em vez disso, num símbolo de mau argumento contra a Evolução.

Algumas pessoas dizem que a aceitação dessa teoria implica ou leva inevitavelmente ao desejo por um controle étnico de seres humanos, porém, reconhecer um aspecto da natureza não significa que você tem qualquer desejo de adaptá-lo a uma política social e cometer graves violações aos direitos humanos. Evolução não é um apoio à eugenia. Assim como aceitar o fato de que a fêmea de inúmeras espécies mata e come os machos após o acasalamento não é um endosso ao canibalismo. É apenas a aceitação da realidade. Se alguém menciona que a teoria da Evolução diz alguma dessas inverdades então ele simplesmente não a entende ou está deturpando-a deliberadamente e tentando criar confusão sobre o que é ciência na esperança de que isso dê mais apoio a sua causa.

De qualquer forma, tentativas de fazer a evolução se parecer com um conto de fadas sendo por desinformação ou desonestidade, continuarão sendo desmascaradas. O conto de fadas é a alegação de que a evolução tem alguma coisa a ver com cães gerando gatos, animais se transformando de uma hora para outra em uma diferente espécie ou surgirem por puro acaso. Se você conversar com qualquer um que conheça e aceite a evolução descobrirá que estas ideias são tão ridículas para eles como são para os antievolucionistas. Evolução é tanto o fato como a teoria. É o fato cientificamente estabelecido de que a vida evolui e continua evoluindo e a teoria da evolução explica como isso se dá. Existem muitas razões que tornam importante o entendimento da evolução, não apenas porque ela é essencial para a compreensão da biologia. Nós convivemos com vírus que rapidamente desenvolvem resistência aos nossos sistemas de defesa. Falhar em entender esse processo significa falhar em entender uma das ameaças mais mortais que enfrentamos.

     Pela curiosidade e cuidadosa dedicação ao trabalho de gerações de cientistas nós agora entendemos com mais detalhes do que em qualquer outro momento da história respostas para as maiores perguntas sobre a vida nesse planeta. Essas são as peças chaves da herança cientifica que vale a pena passar para as novas gerações que certamente irão aperfeiçoar o nosso entendimento sobre a vida (Edward O. Wilson, The Diversity of Life. Harvard Univ. Press, 2ª Edição 1992. ISBN 978-0674212985). 

Este texto foi extraído do livro "A BÍBLIA SOB ESCRUTÍNIO", para adquiri-lo CLIQUE AQUI!

 

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Última modificação emSábado, 29 Outubro 2016 23:23

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