Este texto foi extraído do livro "A BÍBLIA SOB ESCRUTÍNIO", para adquiri-lo CLIQUE AQUI!
Participe de nossa enquete. Sua opinião é muito importante para nós! Clique Aquie de seu voto.
A organização independente Pew Center apurou que 65% dos adultos nos Estados Unidos acreditam que os humanos e demais seres vivos evoluíram ao longo do tempo, de acordo, portanto, com a teoria já consagrada do naturalista inglês Charles Darwin (1809-1882). Entre os norte-americanos não afiliados a igrejas, o percentual é mais ainda significativo, de 86%. Entre os religiosos, destacam-se os católicos brancos, 73% deles creem na teoria da evolução. Na sequência vêm os protestantes (71%) e os católicos hispânicos (59%). Do total dos 2.000 adultos entrevistados em agosto de 2014, 31% demonstraram ser criacionistas. Apesar dos estudos de fósseis, eles acreditam que os seres vivos de hoje são do mesmo jeito em relação ao seu primeiro dia após serem criados por Deus. A maioria (59%) da população acha que ciência e religião entram às vezes em conflito entre si. Parte dos religiosos não tem a mesma percepção. Do total deles, 38% acham que não há incompatibilidade entre religião e ciência. Do total dos não filiados a nenhuma religião, 61% dão credibilidade à teoria de que o universo foi criado pelo “bing bang”.
Fonte: Paulopes
Conheça o livro que tem abalado o mundo religioso! Clique Aqui!
Participe de nossa enquete. Sua opinião é muito importante para nós! Clique Aqui e de seu voto.
Quando o tema são buracos negros, os estranhos hábitos sexuais dos insetos ou se o que tem na sua geladeira causa/cura câncer, não tem polêmica: quase todo mundo solta um "uau, a ciência é fantástica, não, minha gente?". Mas é falar em teoria da evolução, de Charles Darwin, e metade do público parece entrar em pânico, no modo "não é bem assim, minha gente".
![]() |
Pesquisa de Darwin não concluiu que evolução é a lei do mais forte |
O fato é que Hollywood, os quadrinhos e os videogames também fazem um baita trabalho em deseducar as pessoas sobre a teoria mais importante da biologia. A seguir, algumas das bobagens que pipocam em qualquer conversa sobre evolução - e já passaram da hora de serem enterradas.
1) É só uma teoria
2) Evolução é contra a religião
3) A evolução é a lei do mais forte
4) Organismos ficam "mais avançados" com a evolução
5) Alguns animais - e gente - pararam de evoluir
Participe de nossa enquete. Sua opinião é muito importante para nós! Clique Aquie de seu voto.
A maioria dos biólogos aceitam como certa a ideia de que toda a vida evoluiu pela seleção natural ao longo de bilhões de anos. Eles pesquisam e ensinam em disciplinas que têm essa ideia como base, seguros de que a seleção natural é um fato, da mesma forma que é um fato que a Terra orbita o Sol. Visto que os conceitos e realidades da evolução de Darwin ainda estão sob ataque, embora raramente por biólogos, um resumo sucinto sobre o porquê de a evolução pela seleção natural ser um princípio empiricamente validado é útil para as pessoas terem à mão. Oferecemos aqui 15 exemplos publicados pela Nature ao longo da década passada para ilustrar a extensão, a profundidade e o poder do pensamento evolutivo.
1 - Ancestrais terrestres das baleias
Os fósseis oferecem pistas cruciais para a evolução, porque revelam as formas frequentemente notáveis de criaturas há muito desaparecidas na Terra. Alguns deles até documentam a evolução em ação, ao registrar criaturas em trânsito entre um ambiente e outro. Baleias, por exemplo, estão belamente adaptadas à vida na água, e têm sido assim por milhões de anos. Mas como nós, são mamíferos. Elas respiram ar, dão à luz e amamentam seus filhotes. Mas há boas evidências de que os mamíferos evoluíram originalmente sobre a terra seca. Se é assim, então os ancestrais das baleias devem ter se mudado para a água em algum momento. Acontece que temos fósseis numerosos dos aproximadamente dez milhões de anos iniciais da evolução das baleias. Nesses se incluem vários fósseis de criaturas aquáticas comoAmbulocetus e Pakicetus, que têm características agora vistas apenas em baleias - especialmente a anatomia do ouvido interno - mas também têm membros como os dos mamíferos terrestres dos quais eles claramente derivaram. Tecnicamente, essas criaturas híbridas já eram baleias. O que estava faltando era o começo da história: as criaturas terrestres das quais as baleias evoluíram mais tarde. Um trabalho publicado em 2007 pode ter apontado com precisão este grupo. Chamados de raoelídeos, essas criaturas agora extintas seriam parecidas com pequenos cachorrinhos, mas eram mais intimamente relacionadas aos ungulados com número par de dedos [artiodáctilos] - o grupo que inclui vacas, ovelhas, veados, porcos e hipopótamos modernos. Evidências moleculares também sugeriram que baleias e ungulados com número par de dedos compartilham uma profunda afinidade evolutiva. O estudo detalhado de Hans Thewissen e colaboradores em NEOUCOM, Rootstown, mostra que um raoelídeo, Indohyus, é similar às baleias, mas diferente de outros artiodáctilos em relação à estrutura de seus ouvidos e dentes, à espessura de seus ossos e à composição química de seus dentes. Esses indicadores sugerem que essa criatura do tamanho de um guaxinim passava bastante tempo na água. Raoelídeos típicos, entretanto, têm uma dieta bem diferente da dieta das baleias, o que sugere que o estímulo para a mudança para a água pode ter sido a mudança de dieta. Esse estudo demonstra a existência de potenciais formas transicionais no registro fóssil. Muitos outros exemplos poderiam ter sido ressaltados, e há toda razão para se pensar que muitos outros estão para serem descobertos, especialmente em grupos que estão bem representados no registro fóssil.
2 - Da água para a terra
Uma motivação para o estudo do desenvolvimento é a descoberta de mecanismos que guiam a mudança evolutiva. Kathryn Kavanagh e seus colaboradores, da Universidade de Helsinki, investigaram justamente isso observando os mecanismos por trás dotamanho relativo enúmero de dentes molares em camundongos. A pesquisa, publicada em 2007, desvendou o padrão de expressão dos genes que governam o desenvolvimento dos dentes - os molares emergem da parte da frente para a parte de trás, com cada novo dente sendo menor que o último a emergir. A beleza deste estudo está em sua aplicação. O modelo dos pesquisadores prevê os padrões de dentição encontrados em espécies de roedores semelhantes aos camundongos, com várias dietas, fornecendo um exemplo de evolução ecologicamente guiada por uma trajetória favorecida no desenvolvimento. Em geral, o trabalho mostra como o padrão de expressão gênica pode ser modificado durante a evolução para produzir mudanças adaptativas em sistemas naturais.
5 - A origem do esqueleto dos vertebrados
Devemos muito do que nos faz humanos a um notável tecido chamado crista neural, encontrado apenas em embriões.As células da crista neural emergem da medula espinhal prematura e migram para todo o corpo, efetuando uma série de transformações importantes. Sem a crista neural, não teríamos a maioria dos ossos em nossa face e pescoço, e muitas das características de nossa pele e de nossos órgãos sensoriais. A crista neural parece ser exclusiva dos vertebrados, e ajuda a explicar por que os vertebrados têm 'cabeças' e 'faces' distintas. Desvendar a história evolutiva da crista neural é especialmente difícil em formas fósseis, pois dados embrionários estão obviamente ausentes. Um mistério crucial, por exemplo, é saber quanto do crânio dos vertebrados provém da contribuição das células da crista neural e quanto vem de camadas mais internas de tecido. Novas técnicas permitiram aos pesquisadores rotular e acompanhar células individuais enquanto os embriões se desenvolviam. As técnicas revelaram, até o nível das células individuais, que as bordas dos ossos do pescoço e do ombro derivam da crista neural. O tecido derivado da crista neural ancora a cabeça na superfície anterior da cintura escapular, enquanto o esqueleto que forma a parte de trás do pescoço e dos ombros [escápulas e clavículas] cresce de uma camada mais interna de tecido chamada mesoderme. Tal mapeamento detalhado, em animais vivos, esclarece a evolução de estruturas em cabeças e pescoços de animais extintos há tempos, mesmo sem tecido mole fossilizado,como pele e músculo. Similaridades de esqueleto que resultam de uma história evolutiva compartilhada podem ser identificadas nas marcas de inserção musculares [nos ossos]. Isso permite delinear, por exemplo, a localização do maior osso do "ombro" de ancestrais terrestres extintos dos vertebrados, o cleitro. Esse osso parece sobreviver até hoje na forma de parte da escápula em mamíferos viventes. Esse tipo de exame evolutivo pode ter relevância clínica imediata. As partes do esqueleto identificadas como derivadas da crista neural, por Toshiyuki Matsuoka e seus colaboradores no Instituto Wolfson para Pesquisa Biomédica em Londres, são especificamente afetadas em várias doenças do desenvolvimento em humanos, o que permite esclarecimentos sobre suas origens. O estudo de Matsuoka mostra como uma análise detalhada da morfologia dos animais viventes, informada pelo pensamento evolutivo, ajuda os pesquisadores a interpretar formas fossilizadas e extintas.
6 - Seleção natural na especiação
A teoria evolutiva prevê que a seleção natural disruptiva terá frequentemente um papel principal na especiação. Trabalhando com esgana-gatas (Gasterosteus aculeatus [peixes da família Gasterosteidae]), Jeffrey McKinnone seus colaboradores,na Universidade de Wisconsin em Whitewater, relataram em 2004 que o isolamento reprodutivo pode evoluir como um subproduto da seleção sobre o tamanho do corpo. Esse trabalho fornece um vínculo entre o estabelecimento do isolamento reprodutivo e a divergência de uma característica ecologicamente importante. O estudo foi feito numa escala geográfica extraordinária, envolvendo testes de acasalamento entre peixes coletados no Alasca, Colúmbia Britânica, Islândia, Reino Unido, Noruega e Japão; e se sustentou em análises de genética molecular que forneceram sólidas evidências de que os peixes que se adaptaram a viver em cursos d'água evoluíram repetidamente de ancestrais marinhos, ou de peixes que vivem no oceano mas retornam à água doce para reprodução. Tais populações migratórias no estudo tinhamem médiacorpos maiores se comparadas às que vivem em cursos d'água. Os indivíduos tenderam a se acasalar com peixes de tamanho similar ao seu, o que serve bem para o isolamento reprodutivo entre diferentes ecótipos[populações geneticamente singulares adaptadas a seu ambiente local]de cursos d'água e seus vizinhos próximos de vida marítima. Levando em consideração as relações evolutivas, uma comparação dos vários tipos de esgana-gata, quer de cursos d'água ou marinhos, apóia fortemente a visão de que a adaptação a diferentes ambientes acarreta o isolamento reprodutivo. Os experimentos dos pesquisadores confirmaram também a conexão entre divergência de tamanho e o estabelecimento de isolamento reprodutivo, embora outras características além do tamanho também contribuam para o isolamento reprodutivo em alguma medida.
7 - Seleção natural em lagartos
Uma hipótese evolutiva popular diz que mudanças comportamentais em novos ambientes anulam os efeitos da seleção natural. Mas o trabalho de Jonathan Losos e seus colaboradores na Universidade de Harvard, em 2003, empresta pouco apoio a essa teoria. Os pesquisadores introduziram um grande lagarto terrícola e predador, Leiocephalus carinatus, a seis ilhas pequenas nas Bahamas, com seis outras ilhas servindo como controle. Descobriram que a presa desse lagarto, que é um lagarto menor chamado Anolis sagrei, passava mais tempo em maiores alturas na vegetação de ilhas ocupadas pelo predador do que em ilhas onde L. carinatusestava ausente. Mas a mortalidade de A. sagrei continuou mais alta nas ilhas experimentais que nas ilhas controle. A presença do predador maior selecionou em favor de machos de lagarto A. sagreicom pernas mais altas, que podem correr mais rápido, e também favoreceu fêmeas maiores, que são tanto mais rápidas quanto mais difíceis de vencer e de ingerir. Os pesquisadores não detectaram seleção de tamanho em machos; sugeriram que os machos maiores podem ter sido mais vulneráveis por causa de seu comportamento territorial conspícuo. O estudo mostra como a introdução de um predador pode fazer com que os indivíduos de uma espécie predada mudem seu comportamento de modo a reduzir o risco de predação, mas também causa uma resposta evolutiva no nível da população, resposta que difere entre os sexos de acordo com sua ecologia.
8 - Um caso de coevolução
As espécies evoluem juntas, e em competição. Predadores evoluem sempre armas e habilidades mais letais para caçarem suas presas, que por sua vez, como resultado da canônica 'luta pela existência' de Darwin, se tornam melhores em escapar, e então a corrida armamentista continua. Em 1973, o biólogo evolutivo Leigh Van Valen comparou essa corrida ao comentário da Rainha Vermelha para Alice em "Alice no País do Espelho", de Lewis Carroll: "é preciso correr o máximo que pode, para continuar no mesmo lugar. Se você quer chegar a outro lugar, precisa correr pelo menos duas vezes mais rápido que isso!" Nascia a hipótese da 'Rainha Vermelha', sobre a coevolução. Um problema em estudar a dinâmica de Rainha Vermelha é que essa dinâmica só pode ser vista no eterno presente. Descobrir sua história é problemático, porque a evolução geralmente eliminou todos os estágios anteriores. Felizmente, Ellen Decaestecker e seus colegas, na Universidade Católica de Leuven na Bélgica, descobriram uma notável exceção na corrida armamentista coevolutiva entre as pulgas d'água (Daphnia) e os parasitas microscópicos que as infestam; a pesquisa foi publicada em 2007. Enquanto as pulgas d'água se tornam melhores em evitar o parasitismo, os parasitas se tornam melhores em infectá-las. Ambos presa e predador, nesse sistema, podem persistir em estágios dormentes por muitos anos na lama do fundo do lago que compartilham. Os sedimentos do lago podem ser datados conforme o ano em que se formaram, e os predadores e presas enterrados podem ser ressuscitados. Assim, suas interações podem ser testadas, uma contra a outra, e contra predadores e presas provenientes de seus passados e futuros relativos. Confirmando as expectativas teóricas, o parasita adaptou-se a seu hospedeiro ao longo de apenas alguns anos. Sua infectividade a qualquer determinado tempo mudou pouco, mas sua virulência e aptidão [fitness] cresceram constantemente - equiparadas em cada etapa pela capacidade das pulgas d'água de resistência a elas. Esse estudo fornece um exemplo elegante no qual um registro histórico de alta resolução do processo coevolutivo providenciou uma confirmação da teoria evolutiva, mostrando que a interação entre parasitas e seus hospedeiros não é fixa no tempo, mas, alternativamente, é o resultado de uma corrida armamentista dinâmica de adaptação e contra-adaptação, conduzida pela seleção natural de geração para geração.
9 - Dispersão diferencial em aves selvagens
O fluxo gênico causadopela migração, por exemplo, pode desfazer adaptações para condições locais e ir na contramão da diferenciação evolutiva dentro de uma população e entre populações. De fato, a teoria clássica da genética de populações sugere que quanto mais as populações locais migrarem e se intercruzarem, mais geneticamente similares elas serão. Esse conceito parece estar de acordo com o senso comum, assume que o fluxo gênico é um processo casual, como a difusão. Mas a dispersão não-casual pode na verdade favorecer a adaptação local e a diferenciação evolutiva, como relataram em 2005 Ben Sheldon e seus colaboradores, do Instituto Edward Gray de Ornitologia de Campo, em Oxford, Reino Unido. O trabalho deles foi parte de um estudo multidécada sobre os chapins-reais (Parus major) que habitam um bosque em Oxfordshire, Reino Unido. Os pesquisadores descobriram que a quantidade e tipo de variação genética no peso dos ninhegos dessa ave canora difere entre uma parte do bosque e outra. Esse padrão de variação leva a respostas diversas à seleção em partes diferentes do bosque, resultando em adaptação local. O efeito é reforçado pela dispersão não-casual; aves individuais selecionam e se reproduzem em diferentes habitats de um modo que aumenta sua aptidão [fitness]. Os autores concluem que "quando o fluxo gênico não é homogêneo, a diferenciação evolutiva pode ser rápida e pode ocorrer sobre escalas espaciais surpreendentemente pequenas." Em outro estudo sobre chapins-reais na ilha Vlieland da Holanda, publicado na mesma edição da Nature, Erik Postma e Arie van Noordwijk, do Instituto Holandês de Ecologia em Heteren, descobriram que o fluxo gênico mediado pela dispersão não-casual mantém uma grande diferença genética do tamanho das garras numa pequena escala espacial, mais uma vez ilustrando, como dizem esses cientistas, "o grande efeito da imigração na evolução de adaptações locais e na estrutura genética da população".
10 - Sobrevivência seletiva em lebistes selvagens
A seleção natural favorece características que aumentam a aptidão. Ao longo do tempo, poderia-se esperar que tal seleção exaurisse a variação genética por conduzir variantes genéticas vantajosas à fixação em detrimento de variantes menos vantajosas ou deletérias. Na verdade, as populações naturais apresentam frequentemente grandes quantidades de variação genética. Então como esta é mantida? Um exemplo é o polimorfismo genético que se vê nos padrões de cor de machos de lebiste (Poecilia reticulata [peixe da família Poeciliidae]). Como relatado em 2006, Kimberly Hughes e colaboradores, da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, manipularam as frequências de machos com diferentes padrões de cor em três populações selvagens de lebiste em Trinidad. Os pesquisadores mostraram que variantes raras têm taxas muito maiores de sobrevivência do que os mais comuns. Essencialmente, variantes são favorecidas quando raras, e selecionadas negativamente quando comuns. Tal sobrevivência 'dependente de frequência', na qual a seleção favorece tipos raros, tem sido relacionada à manutenção de polimorfismos moleculares, morfológicos e relativos à saúde em humanos e em outros mamíferos.
11 - A história evolutiva é importante
Pensa-se, muitas vezes, que a evolução tem algo a ver com encontrar soluções ótimas para os problemas que a vida apresenta. Mas a seleção natural só pode trabalhar com os materiais disponíveis - materiais que são por sua vez os resultados de muitos milhões de anos de história evolutiva. Ela nunca começa com uma folha em branco. Se o ótimo fosse o caso, então os tetrápodos, ao se depararem com o problema de andar sobre a terra, poderiam talvez ter evoluído rodas em vez de terem suas nadadeiras transformadas em pernas. Um caso real da engenhosidade da adaptação diz respeito a uma moreia (Muraena retifera), um predador dos recifes de coral que parece uma grande serpente. Historicamente, os peixes ósseos usam a sucção para capturar suas presas. Um peixe, ao se aproximar do alimento, abre sua boca para criar uma grande cavidade que suga água para dentro de si junto com a presa. Quando o excesso de água sai pelas fendas branquiais, o peixe leva a presa ao esôfago e às mandíbulas faringeais, que são um segundo conjunto de mandíbulas e dentes derivados do esqueleto que sustenta as brânquias. Mas as moreias têm um problema por causa de sua forma alongada e estreita. Mesmo com suas mandíbulas abertas, sua cavidade bucal é pequena demais para gerar sucção suficiente para conduzir a presa até suas mandíbulas faringeais. A solução para este impasse foi documentada em 2007. Através de observação cuidadosa e de cinematografia de raios-X, Rita Mehta e Peter Wainwright da Universidade da Califórnia, Davis, descobriram a empolgante solução da evolução. Em vez de a presa vir às mandíbulas faringeais, as mandíbulas faringeais se projetam para a cavidade bucal, encurralando a presa e arrastando-a para dentro. Esse, dizem os pesquisadores, é o primeiro caso descrito de um vertebrado usando um segundo conjunto de mandíbulas para conter e transportar a presa, e é a única alternativa conhecida para o transporte hidráulico de presa registrado na maioria dos peixes ósseos - uma grande inovação que pode ter contribuído para o sucesso das moreias como predadores. A mecânica das mandíbulas faringeais da moréia lembra os mecanismos de retenção usados pelas serpentes - também criaturas longas, estreitas, que fazem predação. Esse é um exemplo da convergência, o fenômeno evolutivo no qual criaturas distantemente aparentadas evoluem soluções similares para problemas comuns. Esse estudo demonstra a natureza contingente da evolução; como um processo ela não pode desfrutar do luxo de 'projetar do nada'.
12 - Os tentilhões das Galápagos e Darwin
13 - Microevolução vai ao encontro da macroevolução
14 - Resistência a toxinas em serpentes e em clame-da-areia
15 - Variação versus estabilidade
Fonte: Nature
Conheça o livro que tem abalado o mundo religioso! Clique Aqui!
Participe de nossa enquete. Sua opinião é muito importante para nós! Clique Aquie de seu voto.
A evolução da espécies foi descrita pelo naturalista britânico Charles Darwin no seu célebre livro “A Origem das Espécies” publicado em 1859. Como é de conhecimento geral, esta teoria culminou no que é agora considerado o paradigma central para a explicação de diversos fenômenos na biologia tornando-se a explicação científica dominante para a diversidade de espécies na natureza (Charles Darwin, A Origem Das Espécies, Coleção Obra-Prima de Cada Autor. Editora Martin Claret, 2007. ISBN 8572325840). A teoria científica da evolução explica como as formas de vida desenvolveram diversidade ao longo das gerações. Uma coisa que se deve entender imediatamente é que ela não alega explicar o desenvolvimento do universo ou o surgimento da vida. Ela explica como novas formas de vida surgiram de formas de vida mais antigas. Mesmo que a vida na terra tenha se iniciado por algum tipo de intervenção divina ou alienígena, isto não afetaria a evidência da evolução, que é aceita por pessoas que acreditam em um ou mais Deuses, bem como por quem não acredita em nenhum. Também é importante entender o que é uma teoria cientifica. Fora do meio cientifico as pessoas frequentemente usam a palavra teoria para se referir a um palpite, ou a qualquer opinião pessoal não provada. Não é isso o que a palavra teoria significa na ciência. Na ciência, uma teoria se refere especificamente a uma explicação bem concreta sobre uma grande quantidade de fatos bem concretos e firmemente estabelecidos. Assim, sempre que encontramos declarações do tipo “evolução é só uma teoria, não um fato”, isso nos diz que quem fez tal declaração não está usando o termo adequadamente. Em ciência, a teoria não é enaltecida pelos fatos, antes, os fatos é que são explicados pela teoria. Por causa de seu poder de explicar as coisas, as teorias são a meta suprema e a plena conquista da natureza da ciência.
Para começar com alguns fatos bem conhecidos, nós sabemos que as características físicas dos pais são herdadas pela geração seguinte e através do artifício de criação seletiva, muitas características podem ser aumentadas em gerações posteriores. Isso pode ser conseguido muito facilmente acasalando os indivíduos que exibem mais fortemente aquela característica e repetindo este processo através de sucessivas gerações. Crie apenas cavalos que tem ótimo desempenho em competições e seus filhotes também serão premiados. Crie apenas cachorros agressivos, e seus filhotes serão agressivos. Muitos que alegre e facilmente dirão entender esse tipo de seleção artificial são os mesmos que rotulam evolução como “impossível” ou “um conto de fadas”. Contudo, a seleção natural, um dos principais mecanismos que guiam a evolução não requer nenhuma suspensão mágica ou violação das leis da física. Ela simplesmente diz que as características também surgem e oportunidades reprodutivas também são limitadas por outros fatores que não a influência humana. Se um criador de cachorros selecionar apenas os cachorros mais velozes para sua criação, e se na selva, somente as gazelas mais rápidas escaparam dos predadores e sobreviveram para reproduzir, então ambos, a natureza e o criador de cachorros estão favorecendo certos indivíduos para produzirem filhotes e passar sua informação genética para a geração seguinte.
Antes de falar mais sobre seleção natural, gostaria de mencionar outro termo comumente incompreendido: “Mutação”. Muitos pensam que quando biologistas falam sobre mutação, eles estão se referindo apenas a malformações dramáticas como animais com membros ou cabeças a mais. Ou cenários forçados como cães produzindo gatos, ou até se transformando em gatos. Isto tudo é fruto de desinformação. “Mutação” é simplesmente a mudança na variação genética dentro de uma população, originada por inserção, exclusão ou recombinação de sequência do DNA. Mas mutação não é a única causa de variação, porque não é só a sequência do DNA que é importante para a Evolução. Estudos de epigenética, por exemplo, mostram que os genes podem ser ligados ou desligados, e que essa ativação ou inibição pode ser herdada e se expressar em gerações futuras. A maioria das variações são neutras e não tem qualquer impacto na sobrevivência do organismo, acumulando-se naturalmente em gerações sucessivas, o que se chama de deriva genética, cujos efeitos são melhor percebidos em pequenas populações (Richard Dawkins, O Gene Egoísta. Companhia das Letras, 2007. ISBN 978-8535911299).
Mas variação na cor, por exemplo, pode ter um impacto maior. Considere um inseto de coloração pouco parecida com a casca das arvores onde habita. Se a variação genética fizer alguns de seus filhotes menos evidentes para os predadores, eles terão mais chances de sobreviver e de se reproduzir. E com o passar do tempo, os insetos com esta variação de cor podem se tornar mais abundantes dentro da população. Se a variação fizer alguns dos outros filhotes mais evidentes para os predadores, então talvez eles não sobrevivam para se reproduzir, e essa variação pode desaparecer ou ser suprimida pela seleção natural. Muitos que não entendem a evolução tentam descrevê-la como “puro acaso”. Mas não foi por acaso que camuflagem, cascos, pétalas, antenas, barbatanas, asas, olhos e raízes evoluíram no mundo natural. Todas estas características físicas tiveram funções especificas na contribuição para o sucesso reprodutivo de diferentes organismos. E fica óbvio que se os organismos que exibem essas características se reproduzirem, eles perpetuarão sua informação genética, incluindo a informação responsável pela característica para a próxima geração. Mas não é verdade que toda característica de um organismo tem que ser vantajosa. Por exemplo, características que não trazem nenhuma vantagem ainda podem ser favorecidas se estiverem associadas à outra que traz. Quando se trata de características vantajosas, não existe um “tamanho único”. Tamanho pode ser uma grande vantagem para um leão-marinho que quer dominar seus rivais, mas seria uma considerável desvantagem para um macaco-aranha, que está adaptado para movimentar-se agilmente pelas árvores. De novo, não é por acaso que o leão-marinho evoluiu para ser enorme e o macaco-aranha evoluiu para ser esbelto e ter membros tão esguios. Esses atributos físicos os ajudam nos seus respectivos ambientes e meios de vida para sobreviver e competir para se reproduzirem.
Pessoas que dizem que evolução é sobre um impossível e improvável golpe de sorte cega, frequentemente gostam de alegar que a probabilidade de formas de vida evoluir é a mesma de se ganhar o prêmio máximo de um caça-níquel centenas de vezes seguidas. Mas acasos milagrosos não tem nada a ver com evolução. Se formos usar a mesma analogia da máquina caça-níquel, então a evolução mantém presos quase todos os símbolos e só aceita os que combinam cada vez que se puxa a alavanca. Começando com uma palavra nós só precisamos mudar uma letra para transformá-la numa nova palavra. Mudando uma letra dessa nova palavra resultam novas palavras adicionais. E se nós prosseguirmos com esse processo, produziremos palavras totalmente diferentes da original. Uma mudança dramática obtida através de pequenas mudanças por vez. É isso que acontece na Evolução, exceto que na evolução, incontáveis minúsculas mudanças se acumulam ao longo de milhões de anos. O problema para a maioria das pessoas entenderem o processo da evolução é que eles não conseguem pensar em termos de milhões de anos, para muitos é difícil conceber tal espaço de tempo devido à curta duração de nossas vidas (Richard Dawkins, O Relojoeiro Cego, A Teoria da Evolução Contra o Desígnio Divino. Companhia das Letras, 2001. ISBN 8535901612).
Se membros de uma dada espécie se isolam geograficamente, cada grupo acaba por ter que responder a um ambiente muito diferente e a enfrentar diferentes predadores e se adaptar a formas diferentes de obter comida. Assim, a variação genética não mais estará sendo compartilhada por toda a população, mas apenas entre os membros de cada grupo vivendo em determinado ambiente. Desta forma, a deriva genética e a seleção natural podem fazer com que surjam duas espécies distintas que passando um certo período de tempo não são mais tão próximas a ponto de ser possível se reproduzir entre si.
A teoria da evolução não diz que “organismos de uma espécie de repente passam a produzir organismos de outra espécie”. Cães não produzem gatos e organismos individuais não mudam de espécie. Um macaco não se torna um ser humano, há um mal-entendido comum sobre como a evolução nos liga aos macacos que é revelado pela clássica pergunta que a maioria faz “Se os humanos evoluíram dos macacos, por que ainda existem macacos?” Em primeiro lugar os humanos não evoluíram dos macacos que vemos hoje. Humanos e macacos modernos compartilham um ancestral comum, semelhante a um macaco, mas diferente de ambos. Em segundo lugar, quando uma forma de vida evolui de outra isso não quer dizer que a forma de vida original tem que deixar de existir. Considere por exemplo à espécie A tão bem adaptada ao seu meio ambiente que muda muito pouco de uma geração para outra, então, parte dessa população se espalha para um novo meio ambiente em que se mostra pessimamente adaptada. Diferentes pressões de sobrevivência agora levam as gerações dessa população a mudarem dramaticamente enquanto as mudanças na primeira população são quase imperceptíveis. Após muitas gerações a população 1 ainda existe mais ou menos na sua forma original enquanto que a população 2 está agora muito diferente devido a uma adaptação em um ambiente mais hostil. A população 1 não precisa ser extinta, nem mudar da mesma maneira. Por exemplo, os brasileiros descendem dos portugueses, mas nem por isso os portugueses deixaram de existir ou se transformaram em brasileiros.
A teoria da evolução não requer a existência de um animal com a cabeça de crocodilo e o corpo de pato, mesmo quando há evidências de que um animal evoluiu diretamente de outro isso não significa que a transição de todas as formas tem que parecer como pedaços de ambos os animais colados juntos. A evolução não trabalha combinando diferentes espécies aleatoriamente. Cientistas evolucionistas nunca caçaram o “crocopato” ou o “rinopolvo”. A teoria da evolução nos diz uma coisa bem diferente. A natureza não recompensa apenas combinações aleatórias de características, mesmo animais altamente especializados têm sido levados à extinção. A natureza só recompensa aquilo que é capaz de se reproduzir com eficiência. O “crocopato”, inventado para ridicularizar a evolução tornou-se, em vez disso, num símbolo de mau argumento contra a Evolução.
Algumas pessoas dizem que a aceitação dessa teoria implica ou leva inevitavelmente ao desejo por um controle étnico de seres humanos, porém, reconhecer um aspecto da natureza não significa que você tem qualquer desejo de adaptá-lo a uma política social e cometer graves violações aos direitos humanos. Evolução não é um apoio à eugenia. Assim como aceitar o fato de que a fêmea de inúmeras espécies mata e come os machos após o acasalamento não é um endosso ao canibalismo. É apenas a aceitação da realidade. Se alguém menciona que a teoria da Evolução diz alguma dessas inverdades então ele simplesmente não a entende ou está deturpando-a deliberadamente e tentando criar confusão sobre o que é ciência na esperança de que isso dê mais apoio a sua causa.
De qualquer forma, tentativas de fazer a evolução se parecer com um conto de fadas sendo por desinformação ou desonestidade, continuarão sendo desmascaradas. O conto de fadas é a alegação de que a evolução tem alguma coisa a ver com cães gerando gatos, animais se transformando de uma hora para outra em uma diferente espécie ou surgirem por puro acaso. Se você conversar com qualquer um que conheça e aceite a evolução descobrirá que estas ideias são tão ridículas para eles como são para os antievolucionistas. Evolução é tanto o fato como a teoria. É o fato cientificamente estabelecido de que a vida evolui e continua evoluindo e a teoria da evolução explica como isso se dá. Existem muitas razões que tornam importante o entendimento da evolução, não apenas porque ela é essencial para a compreensão da biologia. Nós convivemos com vírus que rapidamente desenvolvem resistência aos nossos sistemas de defesa. Falhar em entender esse processo significa falhar em entender uma das ameaças mais mortais que enfrentamos.
Pela curiosidade e cuidadosa dedicação ao trabalho de gerações de cientistas nós agora entendemos com mais detalhes do que em qualquer outro momento da história respostas para as maiores perguntas sobre a vida nesse planeta. Essas são as peças chaves da herança cientifica que vale a pena passar para as novas gerações que certamente irão aperfeiçoar o nosso entendimento sobre a vida (Edward O. Wilson, The Diversity of Life. Harvard Univ. Press, 2ª Edição 1992. ISBN 978-0674212985).
Este texto foi extraído do livro "A BÍBLIA SOB ESCRUTÍNIO", para adquiri-lo CLIQUE AQUI!
Participe de nossa enquete. Sua opinião é muito importante para nós! Clique Aquie de seu voto.