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Freira recebe ameaças de morte por sugerir que Maria não era virgem

Celebridade no Twitter, onde tem mais de 183 mil seguidores, a freira dominicana Lucía Caram provocou a ira da Igreja e de fiéis ao sugerir que Maria, mãe de Jesus Cristo, teve relações sexuais com seu marido, José. A religiosa argentina, que vive na Catalunha, recebeu ameaças de morte e pediu desculpas por seu discurso, mas acusou o governo da Espanha de aproveitar o episódio para promover discórdia entre ela e o Vaticano. Caram é entusiasta da independência catalã. 

— Acho que Maria estava apaixonada por José e que eles eram um casal normal, e ter relações sexuais é uma coisa normal — disse, no programa de TV espanhol “Chester in love”. — É difícil acreditar e aceitar. Acabamos com as regras que inventamos sem chegar a uma mensagem verdadeira.

 

Caram afirmou que a sexualidade é dada por Deus, uma parte básica de cada indivíduo e uma forma de expressão própria. Ainda assim, segundo ela, a Igreja tem lutado contra isso.

 

— Acho que a Igreja não encara este assunto há muito tempo e o varreu para debaixo do debate — opinou. — Este assunto não era tabu, e sim algo considerado sujo ou oculto. Era uma negação do que acredito ser uma bênção.

 

As observações da freira provocaram uma onda de raiva na internet, incluindo uma petição on-line para que ela fosse suspensa de sua Ordem.

 

Suas opiniões foram rapidamente desmentida pelo bispo de Vic, na Espanha, que, em um comunicado, lembrou que a virgindade de Maria faz parte da fé desde o início da Igreja: “Isso foi proclamado pelo Segundo Concílio de Constantinopla, sendo o dogma mariano primário observado pelos cristãos católicos e ortodoxos (...). Lembramos às pessoas que essas observações não estão de acordo com a fé da Igreja e lamentamos a confusão que podem ter causado aos fiéis”. 

Na última quarta-feira, Caram emitiu uma declaração em que disse que havia recebido ameaças de morte depois de sua aparição na TV:

“Quando fui perguntada sobre a Virgem Maria, disse que, na minha opinião, ela obviamente amou José... Eu queria dizer que não me chocaria se ela teve um relacionamento normal de casal com seu marido. Isso chocou muitas pessoas, talvez porque não havia oportunidade de esclarecimento. Mas creio que minha fidelidade e amor à Igreja, ao Evangelho e ao projeto de Jesus são claros, assim como a certeza de que o sexo não é nem sujo nem algo a ser condenado, e que o casamento e o sexo são uma bênção”.

A freira acrescentou que, enquanto pedia desculpas a quem se sentia ofendido, estava preocupada com o modo “fragmentado, ideológico e perverso” com que suas observações foram interpretadas. A freira disse que “alguns sedentos de vingança e impulsionados pelo ódio” mentiram sobre ela e fizeram “ameaças sérias, incluindo à minha vida”.

Fonte: O Globo

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Ateu tira nota 1.000 na redação do Enem sobre intolerância

O amazonense Kelvin Nunes (foto), 18, foi um dos 77 estudantes que tiraram nota máxima (1.000) na redação “Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil” do Enem 2016. Ele disse que o fato de sofrer intolerância por ser ateu o ajudou na argumentação da redação. “Eu tinha experiência para colocar na redação.” Nunes afirmou que ouve com frequência que quem não acredita em Deus é pessoa má porque tem pacto com o demônio. “Não é assim, não tem nada a ver”, disse, acrescentando que na redação ressaltou que as pessoas têm de respeitar a crença religiosa ou a descrença alheia. Nunes disse ainda que se preparou para o exame, fazendo uma redação por semana. Ateus relatam diariamente na rede social o tipo de discriminação sofrido pelo estudante.  Apesar disso, eles são ignorados pela imprensa. 
Kelvin Nunes gosta de matemática, mas foi em português que se superou. O ditado popular de que “a prática leva à perfeição” nunca fez tanto sentido na vida do estudante amazonense como agora. Ele foi um dos 77 alunos do Brasil a tirar nota máxima (1.000) na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2016. Tal façanha foi obtida à custa de um treino intensivo de estudos. “Fazia uma redação por semana”, relata. Depois de fazer a redação, o jovem levava o texto para ser analisado pelos professores para saber onde tinha errado e como poderia melhorar. A prática o deixou preparado para escrever sobre qualquer tema, mas o que caiu no Enem, “Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”, contribuiu ainda mais para o seu desempenho. “Eu pesquisei muito sobre essa causa por ter sofrido com a intolerância religiosa. Então tinha experiência para colocar na redação”, revela ele, que no texto defendeu a importância de respeitar para ser respeitado.
 
Kelvin é ateu e ouviu de algumas pessoas que quem não crê em Deus é uma pessoa má, tem pacto com o demônio, entre outras discriminações. “Não é assim, não tem nada a ver”, afirma. Porém, mesmo com a experiência na escrita e no tema, ele não esperava tirar a nota máxima na redação do Enem. “Sabia que eu teria uma boa nota, mas não que fosse mil. Quando vi o resultado atualizei a página várias vezes para ter certeza que a nota era essa mesmo”, declara. E Kelvin não estava tão focado no Enem, ele estava concentrado no Processo Seletivo Contínuo (PSC) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Tanto é que ele ficou em primeiro lugar no curso de Sistema de Informação. Aliás, este é o curso que ele vai fazer. O jovem não vai utilizar a nota do exame nacional. “Eu gosto de mexer com computador. Quero aprender mais sobre isso. Não vou usar a nota do Enem porque quero focar só numa coisa”, diz.
 
Durante a preparação para as provas que dão acesso à universidade, o estudante do Centro Educacional Recanto da Criança Interativo não largava os livros quando chegava em casa. Todos os dias, ele tirava 2h para estudar em casa, meta que só conseguiu alcançar graça ao apoio e incentivo da mãe, Marlan Nunes, 45. “Sempre que eu estava jogando ou mexendo no computador, ela puxava minha orelha e dizia: oh, vai estudar menino! Para de jogar, teus concorrentes estão estudando e você está aí, jogando”, lembra. O número de estudantes que obtiveram a nota máxima na redação do Enem 2016 caiu em relação ao ano anterior, de acordo com o Ministério da Educação (MEC). A média em redação ficou entre 501 e 600 pontos, mas só 77 participantes conseguiram tirar o máximo - 1.000 pontos. Em 2015, 104 participantes conquistaram a pontuação máxima.
 

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